Homens

A Problemática

A conversa sobre a violência contra a mulher não pode seguir sem falarmos com o seu principal agente, o homem. Afinal, são eles os que mais matam as mulheres, que cometem a grande maioria da violência doméstica. São eles também que mais assediam as mulheres nas ruas. Esse comportamento agressivo do homem está intimamente ligado à chamada masculinidade tóxica.

O termo é uma descrição do ideal de masculinidade, que dita que a força, a agressividade, a violência, o sexo, o status de superioridade frente às mulheres são o que devem definir o homem, enquanto as emoções são tidas como fraqueza. Com medo de mostrar as suas fragilidades, os homens acabam procurando menos ajuda para lidar com as suas emoções, o que os leva a terem mais comportamentos violentos.

A masculinidade tóxica mata todos os dias. Mata mulheres, mas mata homens também. Eles são os que mais se suicidam. Dados mostrados pelo Dossiê Brandlab: A Nova Masculinidade e os Homens Brasileiros, mostram que os homens se suicidam quatro vezes mais que as mulheres, no Brasil. Eles também são os que mais morrem por conta da violência.

O papel dos homens

O homem é o principal agente da violência contra a mulher, mas ele também pode e deve fazer parte da solução do problema. Discutir os comportamentos tóxicos tem sido o ponto de partida de muitos homens que querem encontrar caminhos para agir de forma diferente. Uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres, PapodeHomem e viabilizada pelo Grupo Boticário mostrou que 56% dos homens gostariam de ter uma relação mais próxima com amigos, para poderem falar mais abertamente sobre os seus sentimentos.

Para desconstruir essa cultura de violência, de masculinidade tóxica, talvez o primeiro caminho seja refletir a respeito. Entender que esses comportamentos não são naturais do homem e sim uma construção social, se faz mais do que necessário.

Mas como fazer isso?

  • Procure saber mais sobre o assunto. Hoje já existem mais de 3 mil conteúdos no Youtube debatendo a questão da masculinidade.
  • Converse com os seus amigos.
  • Procure ajuda especializada. Conversar com um psicólogo pode ajudar a entender comportamentos e ajudar a desconstruir pensamento e atitudes pré-concebidas.
  • Procure iniciativas que promovam a troca de experiências sobre essa temática. Entender que você não é o único que vive aquela situação ajuda a colocar tudo em uma nova perspectiva e a construir novas formas de viver e pensar.

Projetos

Projeto Tempo de despertar: O projeto, criado em 2014 pela Promotora de Justiça Maria Gabriela Prado Manssur, tem como objetivo tem como objetivo a responsabilização e ressocialização de homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher principal a criação de grupos. Por meio da criação de grupos reflexivos, os homens trocam experiências e, com isso, conseguem criar novas narrativas para as próprias vidas, rompendo assim com os ciclos de violência.

Macho do Século XXI: O projeto criado pelo jornalista, escritor e palestrante Claudio Henrique dos Santos é uma continuação do seu livro “Macho do Século XXI – O executivo que virou dono de casa. E acabou gostando”. Em seus canais de comunicação, o jornalista faz discussões de temas relacionados a desigualdade de gênero e a construção da masculinidade do século 21. 

Ressignificando Masculinidades: Coletivo para fomentar conversas sobre masculinidades. Com encontros quinzenais, cerca de 20 homens se reúnem no Centro Cultural de São Paulo para conversar com outros homens sobre suas questões.

PapodeHomem: Criado em 2006, a plataforma produz conteúdo crítico sobre masculinidade. Como explicado em sua missão, o projeto procura “deixar de lado as narrativas heróicas e os machos alfa, tão frágeis em sua eterna auto-afirmação. É tempo de homens possíveis”.

Saiba mais

O Silêncio dos Homens: O documentário de 2019, produzido pela plataforma PapodeHomem, tem como objetivo provocar reflexão sobre o modelo de masculinidade tóxica perpetuado pela sociedade por décadas. O filme é fruto de uma pesquisa que envolveu mais de 40 mil pessoas. O filme está disponível gratuitamente no YouTube.

A Máscara em que você vive: Lançado em 2015, A Máscara em que Você Vive (The Mask You Live In, em inglês), é um trabalho da diretora Jennifer Siebel Newsom e aborda como a ideia do macho dominante afeta psicologicamente crianças, jovens e, no futuro, adultos nos Estados Unidos.